Nu artístico: Arte e empoderamento

Publicado por :Luciana Matos - lucianasantosdematos123@gmail.com
23/1/2019

Modelo e fotógrafo revelam os motivos e dificuldades enfrentadas no trabalho com a arte

 

 

Forma de expressão pessoal, amor pela arte, autoafirmação. São esses os motivos que fazem com que muitas pessoas mergulhem no mundo do nu artístico. Tão antigo quanto a humanidade, o nu artístico surgiu como um gênero da História de Arte Ocidental na Grécia Clássica. Antes era considerado como natural e sagrado, mas com o decorrer do tempo essas características foram corrompidas e ele acabou taxado como algo negativo.

(Reprodução: Instagram)

Mas muitas pessoas conseguem enxergar na arte uma maneira de se autoafirmar, e o nu artístico abriu portas para isso. Assim aconteceu para a modelo Pyêtra Dapper Brandão, de 18 anos, que através do trabalho com o nu artístico acredita que muitas pessoas podem se amar e se aceitar da maneira que são. Segundo defende, o nu representa a beleza natural e não a beleza que é imposta pela sociedade.

(Foto: Paulo Vitale/Arquivo pessoal Pyetra Dapper)

Inspirada na obra renascentista “LEDA” de Leonardo da Vinci, Pyêtra conta que começou a trabalhar como modelo de nu artístico há três anos. “A obra me fez questionar se era mesmo preciso de um padrão para ser reconhecida. Seria mesmo bonito esse padrão que a sociedade impõe? Quem diz o que é beleza? Sem dúvida foi a obra que mais me inspirei”, explica a modelo.

DIFICULDADES E DESAFIOS

Trabalhar com um tipo de arte em que é preciso expor o corpo nu para se expressar, não é uma tarefa fácil para Pyêtra, apesar de ser a sua grande paixão. “As pessoas se sentiam no direto de me desrespeitar e mesmo tendo sido criada por avós liberais, muitos da família não aceitavam, meu pai se afastou, amigos…” relata a modelo, ao se lembrar dos principais desafios enfrentados no inicio da profissão.

(Foto: Reprodução/Instagram)

Além de lidar com a não aceitação da família e amigos pelo seu trabalho, Pyêtra enfrenta um desafio constante, que acaba prejudicando a essência do seu trabalho: a censura das redes sociais. “A ferramenta que eu uso para trabalhar, o Instagram, é bastante restritiva em relação a nudez, creio que isso dificulta muito, pois parece que estou fazendo algo errado. É preciso usar uma tarja nos meus seios, assim as pessoas nunca considerarão o nu como algo natural, que é o meu principal objetivo”, relata ela.

Mas essas questões não fazem com que Pyêtra pare de sonhar e deixe de viver intensamente ligada a arte. Ela acredita que o nu artístico pode libertar as pessoas dos estereótipos impostos pela a sociedade. “Não são apenas fotos nua, tenho uma causa por trás do meu trabalho que é inspirar outras mulheres a se aceitarem e a se amarem como são”, aponta.

ARTE POR TRÁS DAS LENTES

O amor pelo o nu artístico não é sentido somente por quem se dispõe a ficar nua(nu) em frente as câmeras. Há quem está por trás das lentes que também encontra na atividade uma maneira de ajudar as pessoas a se aceitarem e romper com alguns padrões. O fotógrafo João Testi Neto, de 20 anos, trabalha fotografando nu artístico há dois, e, mesmo lidando com algumas dificuldades, se diz apaixonado pelo o que faz.

(Foto: João Testi)

“A maior dificuldade ao trabalhar com o nu artístico é a visão da fotografia do nu como um tabu”, relata Testi. Além disso, o fotógrafo lida com muitas críticas, sejam elas construtivas, relacionas aos elogios e admiração pelas fotos produzidas, e as “destrutivas”, referentes às ameaças, xingamentos, denúncias das fotos e perfil em rede social e muito mais.

(Foto: João Testi)

A exploração do corpo humano em vários cenários e situações, sejam elas na estética ou ocupando lugares políticos na sociedade (corpo político), é a principal causa que faz com que João Testi se sinta motivado a fotografar. “Como trabalho com corpos fora do padrão de beleza, me motiva continuar pelo fato de eu estar ajudando outras pessoas a aceitarem seus corpos, usando a fotografia para mostrar que seu corpo é tão lindo quanto de qualquer outra pessoa”, finaliza ele.