País vai importar 300 mil toneladas de arroz

O governo federal publicou uma portaria autorizando a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) a comprar 300 mil toneladas de arroz importado. A medida foi publicada em edição extra do Diário Oficial da União nesta semana.

A aquisição será feita por meio de um leilão público, no qual a estatal está autorizada a gastar R$ 1,7 bilhão.

A mercadoria importada pela Conab terá preço tabelado e um rótulo próprio do governo federal. O quilo do arroz será vendido por R$ 4. A estatal irá estabelecer um limite de compra de pacotes por consumidor.

Ao longo deste mês, o governo liberou um total de R$ 7,2 bilhões para a compra de até 1 milhão de toneladas do grão. Mas isso não significa que o governo deve adquirir toda essa quantidade.

A importação do arroz foi anunciada pelo governo com o objetivo de reduzir o impacto econômico das enchentes no Rio Grande do Sul. O estado é responsável por 70% da oferta nacional do cereal.

Os estoques adquiridos pela Conab serão destinados à venda direta para mercados de vizinhança, supermercados, hipermercados, atacarejos e estabelecimentos comerciais com ampla rede de pontos de venda nas regiões metropolitanas.

Esses estabelecimentos comerciais deverão vender o arroz exclusivamente para o consumidor final. A Conab ainda deve definir quais regiões metropolitanas serão atendidas com base em indicadores de insegurança alimentar.

No início do mês, o governo já havia autorizado a aquisição de 104 mil toneladas. No entanto, a compra desse lote não foi concluída, já que o edital foi suspenso pela Conab após o Mercosul aumentar em 30% o preço do cereal.

Por que o governo quer importar?

A decisão pela compra se deu após enchentes no Rio Grande do Sul prejudicarem parte das plantações de arroz.

Lavouras da região central do estado foram as mais prejudicadas. Além disso, o estado está com dificuldade para transportar o grão, tendo em vista a interrupção de estradas.

O Ministério da Agricultura vem afirmando que a decisão de importar arroz tem o objetivo de evitar especulação de preços e alta no valor do arroz para o consumidor.

Mas os produtores nacionais vêm se opondo às medidas de importação e afirmam que o arroz que já foi colhido no RS é suficiente para abastecer o mercado interno.

Há duas semanas, a Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Fedearroz) chegou a solicitar ao governo que cancelasse o leilão para importar o grão.

Segundo dados do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), a safra do estado deve ficar em torno de 7,149 milhões de toneladas, mesmo com as perdas pelas inundações.

“O número é bem próximo ao registrado na safra anterior, de 7,239 milhões de toneladas – o que comprova que o arroz gaúcho é suficiente para abastecer o mercado brasileiro, sendo desnecessária a importação do grão”, disse o Irga, em nota, na semana passada.

Os países do Mercosul teriam preferência no leilão para a compra do arroz importado. Eles são os principais fornecedores externos de arroz para o mercado nacional. E, como o bloco é uma zona de livre comércio, eles não pagam imposto para vender ao Brasil.

Mas, por conta da alta de preços imposta pelo bloco, o governo decidiu zerar o imposto de importação para países de fora do Mercosul.

Informações do G1
Foto: Freepik

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