SAIU NA ADORO: Algodão que Aquece: Conforto, dignidade e educação para o agro 

@nucleomulheresdoagro

Texto: Simone Regina

No Oeste da Bahia, uma iniciativa singular vem promovendo não apenas o aquecimento físico, mas também intelectual e cultural de milhares de estudantes: o projeto Algodão que Aquece. Executado desde 2018, a iniciativa já atendeu mais de 25 mil crianças e jovens de diversos municípios baianos, como Barreiras, Luís Eduardo Magalhães, Riachão das Neves, Santana, Mansidão, Angical, Formosa do Rio Preto, Barra e Correntina. Ao todo, 220 escolas já foram beneficiadas.

O projeto foi criado, formatado e desenvolvido pelo Núcleo das Mulheres do Agro do Oeste da Bahia. Para as integrantes, esta é a iniciativa mais apaixonante desenvolvida, sendo um catalisador de mudanças nas comunidades rurais da região. “O projeto é uma ponte entre o campo e a cidade, entre o conhecimento teórico e a prática, entre o presente e o futuro. Com uma visão ampla que vai além do cultivo do algodão, o Algodão que Aquece está aquecendo não só os corpos das crianças, mas também os sonhos e perspectivas de toda uma comunidade”, conta Suzana Viccini, presidente do Núcleo das Mulheres do Agro do Oeste da Bahia.

Em 2024, a iniciativa vai ampliar ainda mais seus números, atendendo cerca de 25 escolas da rede municipal de ensino de Barreiras. A estimativa é de beneficiar mais de 8 mil estudantes e suas comunidades escolares e familiares.

As atividades serão executadas com ajuda da secretaria de educação do município e incluirão aspectos educativos e culturais, com seminários para professores, palestras e visitas em áreas produtivas, além de concurso de música e trabalhos escolares. Alunos, professores, coordenadores, músicos e escolas serão premiados em diversas categorias no final da campanha 2024.

 

O projeto 

Suzana explica que no Oeste da Bahia o inverno traz consigo não apenas a queda da temperatura, mas doenças respiratórias de inverno. Isso contribui para a evasão escolar nesta época, especialmente nas comunidades rurais. Segundo ela, estes são locais muitas vezes desassistidos, e os alunos não possuem roupas adequadas para se aquecerem nessa época do ano.

“O casaco foi criado como um presente para crianças que enfrentam o frio ao pegar o transporte escolar na zona rural, onde as temperaturas podem chegar a 10 ou 12 graus durante as madrugadas de junho e julho. Ele é feito de algodão e ajuda a combater as faltas escolares no inverno, se tornando um símbolo de cuidado e respeito pelas crianças e escolas, além de representar um apoio para a educação”, compartilha Suzana.

Para além da entrega dos casacos 100% algodão, o projeto tem o objetivo de desenvolver o pilar educacional, de modo a inserir a comunidade na sua realidade local: a agricultura e a pecuária. Essa inserção se dá por meio da entrega de informações esclarecedoras, corretas e seguras acerca da cadeia produtiva, valorizando a educação e a informação de qualidade para esses alunos de forma leve e lúdica. “Demonstrar um olhar de carinho e atenção para com essas crianças e despertá-las para o universo do agro que as cerca, através de um gesto de amor e afeto, é a principal razão de ser do Algodão que Aquece.”

Suzana ressalta que a intenção sempre é fomentar a educação, apresentar pautas sociais importantes e levar o conhecimento sobre a agricultura, além de apoiar professores e comunidades escolares, principalmente as que estão mais distantes dos centros urbanos. Nesse cenário eles contam com a ajuda dos mascotes Cadu e Nina. “Eles chegaram para auxiliar na interação e no aprendizado das crianças. A presença deles nas escolas é cuidadosamente planejada para proporcionar um dia agradável e feliz, especialmente para crianças que nunca tiveram contato com peças de teatro ou atividades lúdicas e interativas.”

Apoio e financiamento

O projeto é desenvolvido pelo Núcleo das Mulheres do Agro, responsáveis pela estruturação, captação de recursos e financiamento com apoio da iniciativa privada e instituições ligadas à agricultura.

A presidente do Núcleo das Mulheres do Agro ressalta ainda que o projeto está sempre aberto a receber novos apoiadores: “O projeto cresce a cada ano, com muitas empresas engajadas e animadas em participar ativamente de cada etapa das entregas e das ações nas escolas. Esperamos este ano contar com mais contribuições”, finaliza.

Fotos: Marca Comunicação

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