SAIU NA ADORO: Amor ou dependência emocional?

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@patriciateubner_

Texto: Patrícia Teubner

Espera-se que um adulto seja capaz de satisfazer suas necessidades e de se relacionar com pessoas diferentes para conquistar uma vida satisfatória, independente e autônoma, tomando suas decisões e responsabilizando-se pelas consequências. Porém, algumas pessoas, mesmo adultas, desenvolvem uma relação de apego excessivo na qual se sentem incapazes de viver sem a presença de um outro, tornando-o centro da sua própria vida. Trata-se de uma relação de dependência emocional que pode acontecer com o cônjuge, os pais ou os filhos.

Quando isso acontece numa relação afetiva, a pessoa dependente tenta suprir as necessidades do parceiro a todo momento, deixando de lado as suas necessidades, sentimentos e desejos. Isso pode acabar sendo visto como sinônimo de amor. A pessoa dependente, que costuma ser insegura, espera receber na mesma proporção em que dá. E, como isso não acontece, aumentam as inseguranças, os medos e os conflitos. O parceiro sente-se, muitas vezes, sufocado, aprisionado, com a sua privacidade e liberdade desrespeitadas, cobrado o tempo todo. Raiva, afastamento, culpa e brigas podem estar presentes na relação, assim como as tentativas extremas da pessoa dependente de fazer tudo para que a relação não acabe, mesmo que tenha que se sujeitar a qualquer coisa e que isso cause grandes prejuízos a ela mesma.

“Sabe, não vivo sem ele. Preciso estar sempre perto para me sentir bem e segura. Quando estou sozinha ou longe dele, parece que falta um pedaço de mim. Ele é o ar que respiro! Sempre peço a opinião dele para saber o que fazer, pois ele me conhece melhor do que eu.”

Em um relacionamento saudável é natural demonstrar afeto, interesse e preocupação. Amar, querer estar perto, cuidar e considerar o que o outro pensa e quer é algo normal e esperado. Mas quando tudo isso acontece em excesso pode levar a um estado de dependência emocional. Não é uma relação saudável e pode acabar se tornando uma relação abusiva. Em uma relação de dependência emocional o sofrimento aparece com frequência, trazendo prejuízos para a vida de ambos. O amor dependente aprisiona; o amor saudável liberta.

Como lidar?

A própria pessoa pode não se perceber nessa situação. Apoie com empatia, compreensão, sem julgamentos e sem cobranças. A ajuda de um psicólogo é essencial no sentido de redescobrir sua história, investigar as causas, lidar com conflitos e sentimentos, desenvolvendo a segurança, o autoconhecimento, a autoestima e a autovalorização, aprendendo a construir relações saudáveis.

Quando procurar ajuda?

Normalmente, a busca por ajuda profissional se dá diante de sintomas de depressão, ansiedade ou estresse, sem saber que a causa está na dependência emocional. Fique atento aos sinais:

  • Cuidado excessivo, priorizando o parceiro e abrindo mão de si.
  • Felicidade concentrada no outro.
  • Submissão e passividade, não dá opinião.
  • Falta de objetivos pessoais.
  • Medo da solidão e do abandono, com vazio emocional.
  • Excesso de ciúme e desejo de controle.
  • Extrema dificuldade de tomar decisões por si só.
  • Sentimento de negação e culpa.
  • Necessidade constante de aprovação do companheiro.
  • Baixa autoestima e sentimento de inferioridade constante. Para se sentir bem, é necessário que haja amor do outro.

Patricia Teubner é psicóloga, especialista em clínica psicanalítica. Realiza psicoterapia individual e com casais, grupos terapêuticos e pré-natal psicológico. Atua com atendimento presencial (Barreiras-BA) e online. CRP 03/02616.

Foto: Divanildo Silva

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