SAIU NA ADORO: A Saúde mental dos jovens em um mundo de transformações

Artigo

@thiagokaique

Texto: Thiago Kaique

Sabe-se que a adolescência e os primeiros anos da fase adulta geralmente é uma época da vida em que ocorrem muitas mudanças. Entre elas podemos citar a procura pelo primeiro emprego, o ingresso na universidade, o início da vida sexual, mudanças de escola, sair de casa e a busca por seu autoconhecimento. Uma mistura de emoções e transformações que para muitos pode refletir em situações de euforia e emoção, para outros, nada mais passa que algo estressante e de muita apreensão, que se não gerenciados de forma adequada, esses sentimentos podem vir ocasionar uma doença mental.

Estima-se que uma em cada dez pessoas precisará de cuidados com a saúde mental, o que se contrapõe à realidade de investimento no setor no qual muitos destes indivíduos não serão beneficiados com os serviços profissionais. Na fase jovem da vida, com o mundo acelerado, guiado por relações virtuais pouco solidificadas, associada a uma tecnologia que traz uma certa pressão adicional a cada vez mais que se aumenta a concavidade, o momento de descobertas da vida passa se tornar um momento de comparação exagerada e exacerbada que nos faz repensar sobre o que realmente faz sentido.

Estar conectado em um mundo moderno e tecnológico tem inúmeros benefícios (que não caberia em um texto como esse citar) mas deve-se levar em consideração o quanto as pessoas estão adoecendo mentalmente, e nisso friso principalmente os jovens. As últimas décadas têm sido marcadas por emergências humanitárias, desastres naturais, conflitos, guerras, epidemias e pandemias, como por exemplo a covid-19, que modificou todo o mundo. Situações como essas nos deixam mais vulneráveis a problemas mentais.  

Reconhecer é um ato de amor. Felizmente o que se vê recentemente é um grande apelo popular à valorização da saúde mental e reconhecimento em ajudar os que estão mais fragilizados e precisando de apoio, tanto no âmbito social quanto no familiar. Há uma necessidade clara de acolhimento médico especializado, formado por terapeutas, psicólogos, psiquiatras, consolidando uma rede de apoio necessária para o enfrentamento da doença. 

Embora ainda estejamos engatinhando, já é um começo. É preciso solidificar a construção de uma resiliência mental desde as primeiras idades a fim de lidar com todos os problemas do mundo moderno. Vale ressaltar a grande importância da escola e dos professores que, juntamente com os pais, podem ajudar esses jovens a construir habilidades importantes para toda a vida.

Cada vez se torna mais evidente que a proteção e promoção de alternativas que melhorem a saúde mental dos jovens traz benefícios tanto a curto quanto a médio e longo prazo. Um jovem fortalecido com sua saúde mental traz resultados importantes para a sociedade, para a economia e o mais importante: para si próprio. 

Com investimentos, esses jovens passariam a se tornar adultos saudáveis com uma capacidade de contribuição social imensamente maior, com força de trabalho e valorização do profissional. No cenário familiar evidencia uma construção voltada a valores éticos de grande importância social, consolidando numa comunidade mais participativa, inclusiva e solidificada. 

O investimento por parte do governo com programas de educação abrangentes nos setores sociais da saúde mental é mais que importante para preencher essa lacuna social. Todo este investimento deve estar vinculado a programas de conscientização dos jovens, além de promover iniciativas que estimulem o esporte, a arte e a cultura, bem como em investir em centros de apoio à saúde mental na rede SUS.

Foto: Roque Holanda

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