SAIU NA ADORO: Os jovens e as telas: corpo presente, alma distante

@tatianabaldissarells

Texto: Joanna Morbeck 

Quem nasceu após 1995, provavelmente não se lembra como era a vida antes da internet. Estar constantemente conectado por meio de smartphones ou de outros dispositivos é como ter o mundo nas mãos. Nesse contexto, compreender o impacto da tecnologia na saúde mental dos jovens e adolescentes é essencial para encontrar soluções de tratamentos que reduzam essas influências na vida deste grupo.

Quem nos fala sobre essa relação entre o uso das tecnologias e o comportamento dos adolescentes, é a psicóloga Tatiana Chaves Baldissarella, uma gaúcha que chegou em Barreiras no ano de 2000, e aqui já atuou nas áreas de psicologia clínica, escolar, organizacional, hospitalar e do trânsito. Formada pela Universidade de Passo Fundo, no Rio Grande do Sul, no ano de 1998, ela é pós-graduada em Psicologia Clínica, Psicodiagnóstico, Psicologia da Infância e Adolescência, Psicopedagogia, e em Psicanálise.

Atualmente Tatiana atua como Psicóloga Clínica de crianças, adolescentes e adultos, para ela há uma clara relação entre o uso excessivo de redes sociais, jogos violentos e aplicativos de filmes e séries com o surgimento de sintomas de depressão, ansiedade patológica, isolamento social e privação de sono. “Na juventude, o excesso de tecnologia faz com que o indivíduo passe a maior parte do tempo interagindo virtualmente, o que afeta o desenvolvimento e faz perder outras experiências sociais importantes. Nesse universo virtual, há, ainda, outra problemática que não pode ser desconsiderada: a forma como as mídias sociais dominam a mente e influenciam o comportamento de adolescentes e jovens. Como esse grupo ainda está em fase de desenvolvimento, a menor capacidade crítica aumenta a vulnerabilidade a essas influências”, alerta. 

A profissional pontua ainda que muitos jovens acabam substituindo a vida social pela online com muita naturalidade. Para eles, isso é algo comum, já que cresceram na Era Hi-tech e sob a influência dos smartphones e de tantos outros dispositivos eletrônicos. Igualmente preocupante é o vício em jogos eletrônicos, problema que afeta consideravelmente a vida de muitos jovens internautas”, diz.

Para Tatiana, a situação é tão preocupante que, no ano passado, a Organização Mundial de Saúde (OMS) incluiu o vício em jogos eletrônicos na classificação das doenças mentais. Além disso, o problema foi comparado aos casos de dependência química, já que as consequências mentais e físicas são bem semelhantes aos efeitos que as drogas ilícitas causam no organismo de um jovem.

A psicóloga também chama atenção para a felicidade momentânea desencadeada por um ‘like’, que pode aliviar temporariamente os sentimentos de solidão. Entretanto, esse tipo de “aprovação virtual” nem sempre supre os anseios mais profundos e, com isso, acaba aumentando a solidão e os sentimentos de frustração e angústia. “Os jovens mais habituados à interação virtual tendem a desenvolver maior insegurança em relação à aparência física, principalmente quanto à visão do próprio corpo. Essa questão torna-se ainda mais complexa devido à associação com distúrbios alimentares. A baixa autoestima e os sentimentos negativos contribuem para o surgimento de alguns distúrbios como a bulimia, condição que pode resultar em graves danos ao organismo”, explica. 

Segundo uma pesquisa da Associação Pan-Americana da Saúde (OPAS), 50% dos problemas relacionados à saúde mental se iniciam em torno dos 14 anos de idade. Entre outras razões, a prevalência da depressão em indivíduos jovens resulta do fato de a doença não ser corretamente tratada. 

Ainda que o uso de tecnologias represente benefícios, é preciso atenção e cuidados especiais para ajudar jovens e adolescentes a superarem os impactos negativos desse problema sobre a saúde mental e física. “Fique atento às alterações de comportamento de seus filhos, procure uma ajuda especializada. Seja um ponto de apoio em qualquer momento ou situação”, alerta Tatiana. 

Foto: Guilherme Augusto

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