SAIU NA ADORO: Elas chegaram para ficar!

Zirlene Zuttion conta a sua trajetória e avalia a participação da mulher no agronegócio

Texto: Simone Regina

Nos últimos anos, o agronegócio tem sido testemunha de uma mudança significativa com a participação das mulheres no setor. Elas estão assumindo papéis importantes e valiosos, trazendo diversidade, inovação e sucesso às atividades do campo. Os números comprovam isso: 59,2% das mulheres que atuam na área são proprietárias ou sócias; 30,5% fazem parte da diretoria e atuam como gerentes, administradoras ou coordenadoras; e 10,4% são funcionárias e colaboradoras; esses são os dados da pesquisa realizada pela Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG) em 2021.

Zirlene Pinheiro Zuttion é engenheira agrônoma pós-graduada em Administração Rural, e é diretora de produção do Grupo Zuttion. Chegou ao Oeste da Bahia na década de 1980, vindo de Goiás, no auge da imigração de sulistas do país, quando se iniciava o desbravamento do cerrado baiano. Casou-se com Celio Zuttion, paranaense, e com ele teve três filhas.

A engenheira conta que enfrentou muitos desafios em sua trajetória, assim como os pioneiros que chegaram na região naquela época. Acreditaram e apostaram que se podia cultivar em solo com baixa fertilidade, de estrutura arenosa, com infraestrutura precária, extrema carência de informações, e distantes dos grandes centros. “Acredito que a coragem e a garra me impulsionaram muito, abraçando todos desafios e sempre apostando nos acertos, procurando ser autora da minha própria história”, relembra.

Construindo a própria história

Sempre apostando no agro, acumulou experiência, conhecimento e muita vivência. Antes de assumir os negócios da família, trabalhou com consultorias e orientações a agricultores e agricultoras que tinham muita vontade de trabalhar, mas eram desprovidos de informações em tecnologia e pesquisa própria. 

Foi uma virada de chave para que anos depois começasse a contribuir com associações e produtores da região, como a AIBA (Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia), a ABAPA (Associação Baiana de produtores de Algodão) e a FBA (Fundação de Apoio e Pesquisa), na qual é vice-presidente atualmente.(((“A conexão com o campo me completa no extremo sentido da vida. É muito gratificante saber que faço parte de uma cadeia que, diretamente ou indiretamente, em pequena ou grande escala, está contribuindo para alimentar e vestir o nosso país e o mundo, e o melhor de tudo, fazendo o que eu gosto”, afirma Zirlene.)))


De mãe para filhas

Com todo esse referencial dentro de casa, não é surpresa que duas de suas filhas seguiram o caminho trilhado pela mãe e se apaixonaram pelo agronegócio. Carol Zuttion é responsável pela comercialização, e Maria Gabriela pelo departamento pessoal e tesouraria da empresa familiar que cultiva soja, milho e algodão. “Tenho um orgulho muito grande de ter minhas três filhas levando a frente os valores de vida a elas ensinados. Sendo que duas delas estão dando continuidade ao negócio que um dia foi iniciado pelos seus pais”, diz a agrônoma. 

Um exemplo para outras mulheres

Sua trajetória ultrapassa as cercas de sua propriedade e incentiva cada vez mais mulheres da região. Sua chegada à liderança de fundações e associações coloca em evidência o papel da mulher no agro, trazendo temas valiosos, como diversidade e inclusão. “O nosso impacto na atividade agrícola deve ser muito abrangente, é uma grande responsabilidade desde o princípio. Lidamos com preservação ambiental, zelo pelo social, segurança e cuidado com a continuidade do nosso negócio” relata.

Segundo Zirlene, ainda hoje quando se fala em agro, o pensamento nos remete a um mundo voltado para o masculino, o que não é verdade.“Assim como em qualquer outro segmento profissional, a mulher comprovadamente já conquistou sua posição. Não é legal continuar criando diferenças, competindo ou disputando se elas ou eles são merecedores. Estas questões ficaram no passado, o momento é bem outro, não podemos levar em consideração a questão do gênero, mas considerar, principalmente, a escolha, competências, habilidade, profissionalismo e merecimento”, afirma.

Mesmo em meio ao crescimento do protagonismo da mulher no setor do agronegócio, desafios vão existir. Zirlene ensina que é preciso abraçar as oportunidades com toda dedicação, empenho, coragem e muito amor. “Considero-me uma mulher de sucesso e que busca continuamente aprender e inovar. Ser protagonista da minha história me fez chegar onde estou e me faz acreditar que posso influenciar outras pessoas a conquistarem o seu protagonismo”, conclui.

Fotos: Arquivo Pessoal

@fazendazuttion

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