Agroindustrialização: um caminho para potencializar o desenvolvimento da região oeste da Bahia

É de dar água na boca aquela mesa de café da manhã repleta de alimentos saudáveis que vimos em filmes e novelas. Mas o que muitos desconhecem é que 70 % dos alimentos que ali estão são agroindustrializados. O leite, a manteiga e o queijo, são exemplos de alimentos que passam por processos de conservação, textura e sabor.

A agroindustrialização é o processo de transformar matéria prima da agricultura, pecuária, aquicultura ou silvicultura em alimentos industrializados. Esta prática tem crescido nos últimos anos, principalmente devido aos avanços da tecnologia na indústria de alimentos. São inúmeras as vantagens, para quem produz e para quem consome, pois aumenta a segurança e a qualidade do alimento, estende o prazo de validade, diminui a sazonalidade, além de agregar valor aos alimentos in natura, procurando manter as suas características originais.

Potencializar o desenvolvimento regional, através da agroindústria, é um dos principais desejos do David Schimidt, presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Barreiras. De acordo com ele, os produtores locais ainda têm dificuldade de organização, estruturação e agregação de valor dos seus produtos.

“A gente percebeu e se perguntou: por que o produtor vende o leite e não vende o queijo, que tem valor agregado muito maior? Porque que o produtor ainda tem muito mel informal na comunidade? Por que que o produtor não consegue vender um ovo dentro de um supermercado?”, questionou David.

David explica que um dos principais fatores que dificultam a agroindustrialização da região é a deficiência dos órgãos fiscalizadores e de inspeção. Isso porque: “Todo produto derivado e processado, como ovos, leite manufaturado e produtos de origem animal devem ser inspecionados”.

Uma potência em construção

Afim de implementar e difundir a agroindústria no oeste da Bahia, nos últimos anos foram feitas análises e pesquisas em torno do tema. Com o diagnóstico em mãos foi possível elaborar propostas para colocar em prática ações que preencham essa lacuna.

O presidente do sindicato afirma que uma das soluções identificadas foi a possibilidade de homologar um consórcio municipal com os 27 municípios do Oeste da Bahia, juntamente ao Ministério da Agricultura, em um projeto chamado ConSIM Consorciado. “Esse consórcio passaria a dar um suporte para aos municípios e os mesmos estariam regulamentado. A Lei do Sistema de Inspeção poderia inspecionar suas agroindústrias e possibilitar a comercialização desses produtos dentro do consórcio.” conta.

Ele conta ainda, que depois da auditoria do Ministério da Agricultura, ao certificar que a inspeção de segurança alimentar está em acordo com as normas exigidas no Brasil, esse produto também pode alcançar outras regiões do Brasil. “Na verdade, poderá alcançar todo território nacional, como Brasília, Goiânia, Palmas, que são três capitais próximas daqui, com uma grande população. Desde modo, a gente consegue colocar nossos produtos agropecuários lá, pleiteando essa concorrência com um valor agregado muito maior que dos produtos que normalmente é praticado nas capitais”, conclui.

Fotos: Divulgação

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