SAIU NA ADORO: Quero fazer psicoterapia, e agora?

PATRÍCIA TEUBNER FALA SOBRE AS PRINCIPAIS DÚVIDAS SOBRE O TEMA NUM BATE-PAPO DESCONTRAÍDO SOBRE O ASSUNTO

Conviver bem consigo mesmo, lidar bem com os dilemas da vida e ter segurança na tomada de decisões, são apenas alguns dos benefícios da psicoterapia. Mas ainda assim, o assunto é tabu em rodas de conversas e gera sempre dúvidas quando é debatido. Por isso, a Revista Adoro convidou a psicóloga Patrícia Teubner, que atua há 21 anos na clínica psicanalítica, para esclarecer as principais dúvidas sobre o tema. Confira a entrevista abaixo:

Revista Adoro – Muitas pessoas querem fazer psicoterapia, mas não têm ideia da duração de um tratamento. É possível mensurar esse tempo?

Patrícia Teubner – Não existe um tempo determinado nem um padrão fixo para todas as pessoas. Cada indivíduo é único. Tudo que ele é e traz interfere na duração da psicoterapia, como: a sua história de vida, as experiências, os problemas, as emoções, as questões mais (ou menos) complexas, a maneira como lida com tudo isso, bem como seu comprometimento e frequência nas sessões. Logo, o processo terapêutico terá um ritmo diferente para cada um e cabe ao psicólogo respeitar esse ritmo.

Revista Adoro – Como funciona de fato a psicoterapia?

Patrícia Teubner – A psicoterapia é um processo a médio/longo prazo, geralmente com sessões semanais por cerca de 50 minutos. É um espaço onde o paciente pode ser ele mesmo, falar sobre o que desejar, onde não será julgado, nem criticado e nem cobrado. Inicialmente, marca-se uma sessão onde o paciente fala sobre suas queixas, tendo um retorno do psicólogo sobre o prosseguimento do processo terapêutico e combinando sobre aspectos práticos, como frequência, faltas e pagamento.

Revista Adoro – Se a pessoa tem algum amigo ou parente psicólogo, pode procurá-lo para fazer um acompanhamento?

Patrícia Teubner – Pelo Código de Ética não é proibido atender alguém em específico, porém, não pode haver relacionamento que afete negativamente o tratamento do paciente. A decisão de atender ou não é do bom senso do profissional. Vale ressaltar que o psicoterapeuta deve ser imparcial, impessoal, não considerar seus valores e suas opiniões. Isso não acontece quando há uma relação próxima com amigos e familiares, pois as ideias já estabelecidas entre ambos muito provavelmente comprometerão a neutralidade do processo terapêutico.

Revista Adoro – Como uma pessoa ficará à vontade para abrir seu coração e sentimentos para alguém que nunca viu? Não soa um pouco estranho?

Patrícia Teubner – Pode parecer mais fácil contar os problemas para pessoas conhecidas com as quais se tem intimidade. Mas, será que seria possível contar aquelas coisas mais íntimas, que não se admite nem para si mesmo? O psicólogo é um profissional que poderá acolher e ajudar de maneira imparcial, com sigilo, sem críticas, julgamentos ou cobranças. É alguém com conhecimento e técnicas, preparado para ajudar a encontrar soluções e cuidar da saúde mental e qualidade de vida.

Revista Adoro – Como saber se a psicoterapia está dando certo?

Patrícia Teubner – Os benefícios da psicoterapia não são vistos logo de imediato, é um processo de altos e baixos. É importante ter paciência e entregar-se ao processo confiando no trabalho do psicólogo. Após um tempo, o paciente e as pessoas ao redor notarão mudanças na maneira de pensar, sentir, compreender, agir e na maneira como o paciente se vê e vê o mundo.

Revista Adoro – Como o psicólogo ajuda o paciente?

Patrícia Teubner – O psicólogo ajudará o paciente a perceber além do que vê, a se conhecer melhor e se entender, sendo apoio para que o paciente percorra seu caminho. Assim, o paciente poderá encontrar suas respostas e saídas para a resolução de conflitos, responsabilizando-se por si e suas decisões. O psicoterapeuta não prescreve nenhuma medicação, pois apenas os médicos podem fazer isso, mas trabalhamos com acolhimento, escuta e diálogo.

Revista Adoro – Como saber se é hora de procurar ajuda profissional?

Patrícia Teubner – Existem vários sinais. Um deles é quando algo traz sofrimento intenso e prolongado, comprometendo sua produtividade, suas atividades rotineiras, suas relações, seu lazer, sua sexualidade. Outro é quando existem sinais ou diagnósticos de transtorno mental, ou ainda se há sintomas físicos ou doenças recorrentes com ou sem tratamento médico. Procure ajuda o quanto antes para que o quadro não se agrave.

Foto: Divanildo Silva

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