BAIANAS: Gêmeas fazem campanha para disputar Campeonato Brasileiro de Jiu-Jitsu

Campeãs baianas de jiu-jitsu, as gêmeas idênticas Stella e Larissa, de 8 anos, sonham em disputar o Campeonato Brasileiro, que acontecerá no fim de abril em São Paulo. Mas existe um empecilho para que cheguem lá: a falta de recursos para a viagem. Agora, a família das atletas está promovendo uma campanha de arrecadação para conseguir o valor necessário.

A vaquinha é organizada pela mãe das meninas, a autônoma Caroline Carvalho, de 29 anos. O plano é levar a dupla e ainda mais duas atletas: as primas Gabriela e Ananda Freitas, ambas de 10 anos. As quatro são alunas do Projeto Social Boa Luta, que é destinado ao ensino de artes marciais a crianças e adolescentes, na Boca do Rio.

Segundo Caroline, não há um valor fixo destinado para a arrecadação. “Cada passagem custa R$ 700 reais, pela última vez que pesquisei. Seriam as quatro meninas, eu e a mãe de Ananda, Cristiane. Precisamos também de estadia, alimentação e outras despesas da viagem. Mas quereremos primeiro arrecadar o máximo que conseguirmos, e nos adaptamos ao valor”, afirmou.

“Se sobrar algo, queremos levar mais crianças do projeto social. É um pedido das meninas, são verdadeiramente altruístas. Acreditamos que, se você fizer o bem, será retribuído”, completou.

O Campeonato Brasileiro será a primeira competição de Stella e Larissa em outro estado. As duas são campeãs baianas – pesos pesadíssimo e pesado, respectivamente. “Larissa baixou o peso, e assim elas conseguem disputar categorias diferentes. Depois de ganharem o Baiano, elas ficaram motivadas para competirem em outros torneios. São muito determinadas”, disse Caroline.

Já Ananda, além de ter o título baiano, é ainda bicampeã brasileira e bicampeã sul-americana de jiu-jitsu. “Ela pratica o esporte desde os 4 anos. É muito esforçada. Conhecemos no Boa Luta, e ela se tornou um verdadeiro exemplo para minhas filhas”.

O Campeonato Brasileiro de Jiu-Jitsu na faixa de 4 a 15 anos, está marcado para acontecer entre os dias 29 e 30 de abril, na cidade de Barueri, em São Paulo. Para ajudar na arrecadação, Caroline disponibilizou uma chave pix: 71 98516-6958 (Carla Caroline Ferreira de Carvalho).

Começo no esporte

O início das gêmeas no jiu-jitsu partiu de uma vontade de Caroline, após ver, na televisão, o massacre em uma escola em Suzano (SP) em 2019. O atentado, na Escola Estadual Professor Raul Brasil, deixou oito mortos – cinco estudantes, dois funcionários e um comerciante. As dezenas de tiros foram efetuadas pelos ex-alunos Guilherme Taucci Monteiro, 17, e Luiz Henrique de Castro, 25.

Na época, uma estudante de 15 anos lutou com um dos assassinos quando tentava fugir. Lutadora de jiu-jítsu Rhyllary Barbosa dos Santos usou uma técnica que aprendeu com seu mestre para se defender e evitar uma tragédia ainda maior. Ela conseguiu abrir a porta de entrada, e ajudou outros estudantes a escapar.

“Aquilo me fez chorar bastante. Ela [Rhyllary] usou seus conhecimentos não para lutar, mas para se defender – e defender outros. Na hora, quis colocar as meninas no mesmo esporte. Estudei sobre ele e me apaixonei. Também queria que elas aprendessem bem sobre disciplina, e o jiu-jítsu ensina bastante. Mas veio a pandemia, e os planos foram adiados”, lembra.

“Nessa época, passei a fazer pizza com meu irmão, para entregar. E conheci o mestre Renê, que era professor do Boa Luta, mas estava trabalhando como motoboy na época. Quando a pandemia amenizou, liguei para ele e levei as meninas. Elas se apaixonaram. Já tinha tentado karatê, mas elas não se adaptaram. Foi outra história com o jiu-jitsu”, completou.

Segundo Caroline, o esporte tem ajudado bastante na saúde de Stella e Larissa. “Elas têm asma, mas, depois do jiu-jitsu, nunca mais tiveram crise. As duas ainda estão sob suspeita de terem TDAH [Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade], e ajudou nisso também. Elas são muito disciplinadas. Praticam todos os dias”.

Informações do Correio.
Foto: Reprodução

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