AGRONEGÓCIO: Agricultura familiar e pesquisa: o que o agro quer para os próximos anos

Responsável por 25% do PIB brasileiro, o agronegócio deve crescer 2,8% neste ano, segundo a Confederação Nacional de Agricultura (CNA). Para os próximos anos, as previsões são igualmente favoráveis. Mas, para que o setor possa dar saltos de crescimento mais ambiciosos, é preciso fazer mais. Especialistas e entidades têm se reunido nos últimos meses para debater o futuro do agro, com foco nos próximos quatro anos.

O desenvolvimento de uma agricultura sustentável em biomas como o cerrado, por meio de pesquisas de novos cultivares e do incentivo ao pequeno agricultor, faz parte do conjunto de sugestões. “Precisamos resgatar políticas de apoio ao pequeno produtor, que soma 4 milhões de pessoas no Brasil”, diz Eduardo Delgado Assad, pesquisador da Unicamp e professor da FGV Agro, centro de estudos de agronegócio da Fundação Getúlio Vargas.

Os especialistas defendem a ampliação de programas de assistência técnica aos pequenos produtores e de outros esforços no sentido de elevar o nível educacional dos agricultores. “Muitos não completaram o ensino fundamental”, afirma Assad. “Também é preciso investir mais em saneamento básico na zona rural e prover condições para que o pequeno agricultor possa aumentar a produção e renda.”

Novas tecnologias no agro

Estimular o desenvolvimento de novas tecnologias é outra iniciativa primordial, na visão de pesquisadores e representantes de entidades do agro. “O país fez uma revolução verde há algumas décadas, quando deixou de ser um importador de alimentos para se tornar um grande produtor e exportador, o que foi conquistado em grande parte com investimentos em pesquisa”, diz Luiz Carlos Corrêa Carvalho, presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag). “Agora, precisamos aumentar os investimentos em tecnologia para agricultura tropical e nossa capacidade de inovação.”

Esse movimento passa também pelas startups do agro, que vêm apresentando soluções em tecnologias como robótica, inteligência artificial e sensores. As inovações permitem avanços no monitoramento da saúde das plantas, detecção de pragas e previsões do tempo mais acertadas, fundamentais para o planejamento do plantio e da colheita.

Seguro rural

Neste aspecto, os recursos direcionados ao programa de subvenção do seguro rural, que atingiram 990 milhões de reais, se esgotaram em setembro. Para o ano que vem, a verba estimada é de 1 bilhão de reais, metade do valor solicitado pelo Ministério da Agricultura. A Embrapa deverá contar com um orçamento de 3,4 bilhões de reais, pouco mais do que os 3,3 bilhões de reais deste ano – a verba destinada à pesquisa e inovação, no entanto, deverá diminuir, passando de 191,8 milhões de reais, valor aplicado neste ano, para 156,2 milhões de reais, de acordo com disposições do Projeto de Lei Orçamentária Anual.

Informações da Exame.
Foto: Reprodução

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