SAIU NA ADORO: ARTE E GASTRONOMIA: CONHEÇA O MUSEU DO SORVETE EM SALVADOR

Texto: Louise Calegari

O bairro da Ribeira, em Salvador, já foi cantado em verso e prosa por muitos artistas e poetas. E não é difícil entender o porquê. Bastam alguns minutos no local para se deixar encantar pela orla de mar calmo da península de Itapagipe e pelos coloridos barcos que ali ancoram. 

Além de todos esses encantos, a Ribeira é o lugar ideal para se deliciar com a gastronomia local, além de ser um passeio perfeito para quem busca aumentar o conhecimento e de quebra visitar um dos casarões mais bonitos da capital.

Foto: Marina Silva/ Correio24Horas

O Solar Amado Bahia foi completamente restaurado pela empresa Sorvetes Real e agora abriga um “museu do sorvete”, com referências históricas e lúdicas à fabricação de sorvetes. 

Foto: Marina Silva/ Correio24Horas

Com mais de 114 anos, o Solar Amado Bahia foi construído e esculpido artesanalmente com um projeto colonial de arquitetura eclética. Tem 52 cômodos, mais de 107 portas e uma profusão de cores, estilos e formas, tendo, em quase todos os cômodos, paredes em escaiolas (pintura que imita mármore). O imóvel possui três pavimentos, dos quais dois estão abertos ao público.

Foto: Marina Silva/ Correio24Horas

No primeiro piso há uma visita guiada ao mundo do sorvete, com réplicas dessa iguaria espalhadas para garantir o clique da visita. Já no segundo está a “cereja do bolo” desta grande restauração: uma capela com detalhes dourados e uma porta com um entalhe magnífico. Vale ainda a visita aos quartos e se deixar levar pelo lindo salão com paredes revestidas de espelhos franceses, vidros de janelas com desenhos delicados feitos em cristais.

O Solar tem referências de diversos países europeus, tendo toda a sua extensão tomada por um gradil em peças feitas de ferro fundido com chumbo, importadas da França, além de uma escadaria com piso em mármore carrara.

Projetado pelo português Francisco Mendonça, o Solar teve sua construção iniciada em 1901 e a inauguração ocorreu com toda pompa em 08 de dezembro de 1904 para os casamentos das filhas do proprietário Francisco Amado da Silva Bahia, Clara e Maria Julieta. O casarão foi doado em 1949 à Associação dos Empregados do Comércio da Bahia. E foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico Artístico Nacional (Iphan) em 1981.

Para quem tem crianças, o Museu do Sorvete é uma excelente opção de lazer pelo jeito lúdico de falar do assunto e pelo espaço kids que é ofertado do lado de dentro.  No mesmo complexo, na parte anexa, há uma lojinha e uma sorveteria, claro, para fechar a visita com chave de ouro.

O motivo do leilão foi uma dívida trabalhista da Associação de Empregados do Comércio da Bahia, que desde 1949 ocupava o Solar. Por um tempo, o casarão também foi uma escola. De acordo com o diretor do TRT5, Rogério Fagundes, o débito era resultado de um equívoco administrativo entre a Associação de Empregados do Comércio da Bahia e um funcionário. O casarão foi doado à associação em 1949.

Ele (o funcionário) foi vice-diretor da escola que funcionou no casarão, mas teve alguns problemas em relação a pagamentos de horas extras e outras questões trabalhistas. A dívida estava avaliada em R$ 1,7 milhão”, disse ao CORREIO no ano passado Rogério Fagundes. Segundo disse à época Frederico Leitão, tataraneto do comerciante Francisco Amado Bahia, o imóvel foi doado à associação para atender a uma função social, o que nunca ocorreu.

Arquitetura eclética

Francisco Amado Bahia era um novo rico e queria mostrar todo o seu poder financeiro e requinte. Por isso, construiu o Solar com o glamour que ele gostaria, ou seja, com referências de diversos países europeus. O solar é um dos exemplares mais representativos da arquitetura eclética do século XIX.

A arquitetura influenciada pelo ecletismo da época documenta o modo de vida das ricas famílias baianas. O imóvel possui três pavimentos, uma capela com entalhes dourados, paredes revestidas de espelhos franceses, pisos em mármores carrara, vidros de janelas e portas finos como cristais, estruturas externas metálicas importadas da França.

A inauguração do solar, em 8 de dezembro de 1904, foi marcada pela celebração dos casamentos das filhas mais velhas de Amado Bahia – Clara e Julieta.

Solar foi invadido por sem tetos e sofreu saques de vândalos

Enquanto nos apresentava o novo Solar Amado Bahia, Natanael Couto, o Tuca, nos fez um apelo. A “santa” que ficava no altar da casa sumiu e ele ainda tem esperança de que ela reapareça. A Nossa Senhora da Conceição teria sido levada por uma pessoa que prometeu cuidar dela. “Agora que a casa está recuperada, pedimos que essa pessoa devolva a peça. Disseram que foi antes das invasões”.

Mas, a imagem é apenas uma das centenas de peças que desapareceram do solar. Isso porque a casa sofreu diversos saques, inclusive noticiados nos jornais, sem falar nas invasões de sem-tetos. “Vândalos saqueiam o Solar Amado Bahia em Itapagipe”, manchetou o próprio Correio da Bahia, em 5 de maio de 2006.

Foto: Marina Silva/ Correio24Horas

“Com vista para a exuberante península de Itapagipe, o casarão de número 80 da Rua Mem de Sá, construído em 1901, é quase uma ruína. Além dos grupos de turistas que ainda insistem em fotografá-lo, o solar, que já foi ocupado pelo movimento sem-teto, vem atraindo agora a atenção de vândalos que, na madrugada ou à luz do dia, invadem e furtam peças da construção centenária”, escreveu. “A maioria dos móveis da casa foi levada. Sobraram poucos”, confirma Patrícia Cordeiro, esposa de Tuca.

Na época, a depredação dos gradis que contornam a fachada do prédio já era visível.

“Peças feitas de ferro fundido com chumbo, importadas da França, estão sendo levadas para serem vendidas em ferro-velho”, denunciava o diretor de patrimônio da Associação dos Empregados no Comércio da Bahia (AECB), Hamilton Rufino. Esse mesmo gradil consumiu R$ 70 mil para ser restaurado.

Serviço
Endereço: Rua Porto dos Tainheiros, 80, Solar Amado Bahia / Museu do Sorvete, Bairro da Ribeira
Funcionamento: de terça a domingo, das 10h às 19h.

Ingresso: o acesso à sorveteria é gratuito. O acesso ao Museu do Sorvete/Solar Amado Bahia tem uma taxa de manutenção de R$ 10,00. 

Telefone: (71) 3023-5953

Fotos: Divulgação/ Trip Advisor e Instagram | Foto de capa: Assessoria do Museu do Sorvete

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