SAIU NA ADORO: O velho novo! Brechós de luxo fazem sucesso e fortalecem a moda sustentável

Texto: Elisabeth Guerra 

Se você é daquele tipo de pessoa que compra, usa pouco e depois enjoa da roupa ou acessório, é hora de parar e pensar em um novo estilo de consumo ou mesmo dar novo destino a essas peças entocadas lá no fundo do armário. A moda da vez é passar adiante o que já foi usado, fazer dinheiro com isso e ainda ajudar o meio ambiente. E se você acha que estamos falando dos antigos brechós, engana-se. Esse velho conceito foi atualizado com sucesso, repaginado e se espalhou entre aqueles que amam uma boa peça de roupa, bolsa ou calçado e não se importam em apertar o botão do reuso.

A moda consciente ou second hand (segunda mão), como está sendo chamada, já é uma realidade até entre os famosos. Pessoas como a jornalista e socialite Narcisa Tamborindeguy e a atriz Grazi Massafera já se renderam a essa nova onda e começaram a vender suas roupas e acessórios de grife em brechós refinados. O aumento da procura por esse tipo de compra fez com que sites e aplicativos que já existiam no mercado, como enjoei, Nobz e Troc, ganhassem ainda mais visibilidade e influenciassem alguns dos seus clientes a investirem também nesse novo mercado.

Alana Lôbo, que assina a loja online Acervo Chic há quase 8 anos, sempre foi apaixonada por brechós, até que resolveu tornar isso um negócio. Hoje a conta da loja tem mais de 30 mil seguidores e mais de 10 mil peças exclusivas comercializadas ao longo desse tempo, por um preço mais camarada: “Eu sempre fui consumidora do mercado de second hand bem antes de ter qualquer pretensão de trabalhar com isso. Sempre tive essa consciência e comprava coisas muito bacanas por um valor mais acessível. Foi a partir dessas experiências que surgiu a ideia de montar o Acervo Chic. Foi tudo muito natural e é uma grande realização oferecer para as minhas clientes um serviço que eu adoro.”

No catálogo, bolsas e sapatos de grifes internacionais, óculos e muitos outros artigos desejados, criteriosamente avaliados, antes de serem colocados à venda. Segundo Alana, as marcas Louis Vuitton e Gucci são as mais pedidas pelas clientes e às vezes é difícil resistir ao desejo de comprar também: “A vida de dona de second hand de luxo não é fácil! A gente fica querendo tudo, mas é preciso focar, avaliar e colocar para vender. Sou muito exigente e só vendo o que está em perfeito estado, praticamente novo.”

Alana lembra de algumas peças inesquecíveis, como um relógio Patek todo em diamantes e uma mini bolsa Louis Vuitton colorida. Sobre os valores, a empresária que hoje é dona de outras lojas online, faz mistério e fala que os preços variam conforme o modelo, a grife e a exclusividade. Ela diz que é preciso ser criteriosa na análise prévia das peças: “Esse mercado tem um alto volume de peças que não são originais, vendidas como se fossem. Por isso precisamos ter paciência, dedicação e expertise na autenticação das peças.”

Essa ideia de vender peças usadas foi também a alternativa encontrada pela empresária, Juliana Barude, para dar fim ao que ficava esquecido nas gavetas. A diferença é que no caso dela, as vendas ocorrem em bazares organizados por ela mesma: “O bazar surgiu através de conversas com amigas próximas, achei a ideia interessante e decidi apostar. Fizemos a primeira edição em meu apartamento e foi um sucesso. De lá para cá tenho feito isso esporadicamente, levando malas mais personalizadas para cada cliente.”

A alternativa surgiu da vontade de fazer a moda girar: “Não sou apegada ao que não uso, não importa o tecido ou a marca. Muitas vezes compramos por impulso e depois nem usamos a compra. É uma satisfação saber que essa peça será usada com prazer por outra pessoa. Mas para isso, preciso ter certeza de que quero me desfazer daquele produto. Se surgir alguma dúvida, não o vendo.”

No caso de Juliana, as peças variam de R$ 20,00 a R$ 150,00, e a precificação é feita em cima da conservação da roupa: “Chego a vender peças com etiqueta e que jamais foram usadas. Outras, usei pouquíssimas vezes e estão novas. Ela lembra de um vestido de casamento que só foi usado uma vez e ela repassou por R$ 150,00: “A cliente enlouqueceu”, conta entre risos. As marcas mais vendidas por ela são Farm, Lez a Lez, Zara e Sacada. No caso das relações públicas, a cliente pode optar em receber uma mala e escolher tudo no conforto da própria casa. Seja qual for o formato de compra ou venda, vale dar uma chance a essa nova forma de consumo para economizar ou ganhar um renda extra, e o melhor: ainda ficar de bem com o planeta.

Fotos: Divulgação/ Arquivo Pessoal/Ilustração

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