SAIU NA ADORO: O Fardo da Culpa: Especialista alerta sobre esse sentimento que acompanha pais e mães ao longo da educação dos filhos

Há quem diga que quando nasce uma criança, nasce junto uma culpa imensa que alguns pais podem chegar a carregar pelo resto das suas vidas. É que esse sentimento pode acompanhar a parentalidade desde o princípio até o desenvolvimento dos filhos, por causa do questionamento e da insegurança na tomada de decisões. As dúvidas que aparecem são sobre os mais diversos motivos, dos mais simples aos mais complexos, como por exemplo, a hora certa de mamar, quando tirar a fralda, ser permissivo demais, a carga horária excessiva de trabalho ou a falta de tempo para os pequenos. É como se os pais tivessem a obrigação de acertar sempre.

Só que, assim como em qualquer relacionamento, não existem regras, ninguém é perfeito e é impossível ser assertivo o tempo inteiro. É o que alerta a psicóloga Ana Carolyna Pelissari, especialista em Sistêmica na clínica individual e Gestalt-Terapia infantojuvenil: “A demanda de pais que sempre se queixam em relação à culpa, no que concerne ao exercício da parentalidade, é muito recorrente na clínica. Muitas vezes, essa busca incessante por acertar sempre, coloca os pais numa posição de super-heróis onde não possuem o direito de errar.”

O meio em que a família vive, em alguns casos, também não ajuda, já que a crítica pode partir dos próprios familiares e amigos. É um bombardeio diário de pitacos, repreensões e de cenas perfeitas de pais e filhos felizes nas redes sociais – o que aumenta ainda mais a culpa de quem só quer educar em paz: “Esse sentimento está muito relacionado às exigências sociais que estão cada vez mais utópicas. É como se a parentalidade fosse colocada dentro de uma caixa e, para ser um bom pai ou mãe, fosse necessário seguir um roteiro pré-determinado”, diz a especialista.

Além disso, não é difícil encontrar na internet manuais de como ser, agir ou lidar com as questões que aparecem ao longo do percurso, o que aumenta a autocrítica acerca da maternidade ou paternidade, como esclarece a psicóloga: “Muitos pais e mães se queixam e se culpam muito por não acertarem como queriam e, sob tanta pressão, acabam repetindo alguns padrões disfuncionais que aprenderam na infância e na adolescência deles.”

Segundo a Dra. Ana Carolyna, o melhor a fazer, caso a pessoa se perceba refém dessa culpa parental, é investir em si mesmo e principalmente buscar ajuda profissional: “Ao investir em autoconhecimento, os pais e mães conseguem conviver melhor com a parentalidade real e não ideal. Os pais e mães precisam entender de uma vez por todas que eles têm o direito de tentar e de não serem perfeitos. Isso é libertador”, finaliza.

Foto: Divanildo Silva

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