SAIU NA ADORO: Conheça a psicoterapia analítica funcional, abordagem que tem como princípio a relação entre profissional e paciente

Decidir fazer terapia já é um grande passo para quem deseja se conhecer mais, melhorar a maneira como enxerga o mundo e reagir aos acontecimentos da vida. Mas, muita gente não sabe que existem diversas abordagens psicológicas e que cada uma delas tem as suas peculiaridades. 

Algumas terapias são mais indicadas, por exemplo, para o tratamento de vícios, enquanto outras, para o de traumas. Há ainda aquelas que apresentam bons resultados na luta contra a depressão, ansiedade e tantos outros transtornos mentais. Entre as mais conhecidas estão a Psicanálise e a Lacaniana, criadas pelo médico austríaco Sigmund Freud, a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), a Terapia Gestalt e o Psicodrama.

Entre tantos caminhos, existe aquele que leva à Psicoterapia Analítica Funcional (FAP), abordagem que defende que cada paciente possui uma fórmula única a ser incorporada no tratamento, assim que o terapeuta perceber os caminhos com mais chances de sucesso. O paciente também vai mudando a forma como administra seus próprios problemas e comportamentos no decorrer do tratamento, já que percebe alternativas novas para esse fim.

Por meio desse tipo de abordagem é possível criar um ambiente seguro para trabalhar as demandas do paciente, já que os comportamentos interpessoais vulneráveis são evocados a partir da intimidade na interação entre o paciente e o terapeuta, como explica a psicóloga Daniela Mattos, a primeira a trabalhar com a FAP em Luís Eduardo Magalhães, região Oeste da Bahia. 

A profissional conta que a proposta principal é criar uma relação única, de extrema confiança através de uma abordagem funcional, para assim criar ferramentas de intervenção clínica capazes de promover mudanças de comportamento: “O terapeuta sai de uma postura de aplicação de técnicas para uma postura de criar relações autênticas, genuínas e de intimidade com o paciente. A maioria dos problemas que o paciente enfrenta quando ele chega no consultório tem a ver com dificuldades interpessoais, como ele se relaciona com as pessoas e essas interações. Na FAP, a própria relação terapêutica entre paciente e psicólogo é o que vai produzir as modificações, as transformações e as aceitações.”

Ela explica que o terapeuta deve observar os comportamentos que aparecem nas sessões a fim de discriminar a função deles e trabalhar em cima dessa análise: “Esses comportamentos são chamados de Comportamentos Clinicamente Relevantes (CCR) e são divididos em três tipos. São eles: problemas que ocorrem durante a sessão e cuja frequência deve ser diminuída (estão sob controle de estímulos aversivos e geralmente consistem em comportamentos de evitação); melhorias do paciente que ocorrem durante a sessão; e as interpretações do paciente sobre seu próprio comportamento e o que ele acredita que o causa”, relata.

A FAP tem sido utilizada como ferramenta importante no tratamento de transtorno de personalidade borderline e problemas de relacionamentos interpessoais, por exemplo. “Ao optar por esse tipo de terapia, o paciente consegue desenvolver autoconhecimento, regular os sentimentos de raiva e angústia e a maneira que reage a eles, além de realizar mudanças necessárias na sua vida. É uma terapia super efetiva e indicada para quem quer melhorar suas habilidades com os outros, criar vínculos genuínos com as pessoas e melhorar a auto-observação e o autoconhecimento”, diz a profissional, que acrescenta ainda que é um recurso interessante para aqueles pacientes que já tentaram outros tipos de terapia: “A FAP é bastante indicada para quem não teve melhora em outras terapias e tem dificuldade em estabelecer relações de intimidade ou problemas interpessoais”, finaliza.

Foto: Divanildo Silva

  • Compartilhe: