SAIU NA ADORO: A difícil jornada de mover o mundo, treinar duro e mergulhar de cabeça para realizar um sonho

Quanto vale um sonho? Quanto é necessário se sacrificar em busca do que realmente se deseja?

Em 2017 eu resolvi buscar uma nova experiência esportiva, então decidi iniciar minha carreira no triathlon. Já havia disputado grandes provas, enfrentado grandes desafios, conquistado alguns lugares no pódio, mas a jornada que ali se iniciaria seria extremamente difícil.

Ser atleta no Brasil não é uma missão fácil. Custos, despesas, horas de treino, falta de estrutura e falta de reconhecimento, tudo isso pode fazer com que o caminho rumo ao êxito seja ainda mais duro. Conciliar a vida profissional, os estudos, a família, os amigos e o tempo disponível, tudo isso é uma dura jornada.

Recordo do dia que decidi vender minha mountain bike (bicicleta utilizada para provas de aventura), equipamento esse que na época não custava mais de mil reais. Consegui com muito custo comprar tudo que precisava, do jeito que era possível: a nova bicicleta modelo speed, na verdade era usada, assim como as sapatilhas de ciclismo, que eram de um amigo e precisei reparar com cola de sapateiro. Já a roupa de natação era do meu irmão mais velho, assim como tantos outros itens importantes e muito difíceis para adquirir na época.

Mas esse era apenas o começo. Ser triatleta requer muito mais, como horas e mais horas de treino, com a ressalva de que treinar da forma certa leva tempo para aprender. A afinidade com seu treinador também não vem do dia pra noite, e as pessoas que te cercam não entendem o porquê de tanto compromisso com algo, que para muitos, não passa de um hobby, e não uma profissão.

De lá para cá, muita coisa aconteceu. Me tornei triatleta e fiz minha estreia em provas importantes, como Ironman 70.3, o Ironman Full, o Fodaxman, que é uma prova de triathlon extremo; além do Patagonman, que é a competição de triathlon mais dura do mundo, e foi nessa última que tive a certeza de que nem mesmo a força da natureza é suficiente para parar alguém que está realmente determinado.

Em 2020, em meio a uma pandemia global, mudei de uma pequena e pacata cidade do Rio Grande do Sul para Luís Eduardo Magalhães, no Oeste baiano – mais um grande desafio. Recomeçar a vida é uma difícil missão, mas como sempre, o empenho e a obsessão pelo êxito estavam ao meu lado.

Em 2021 me tornei Vice-Campeão do Ultraman (UCE 515), prova que possui as distâncias de 10 quilômetros de natação, 421 km de ciclismo e mais 84 km de corrida, e finalizei o ano com o vice-campeonato Brasiliense de Triathlon Olímpico na minha faixa etária.

Neste ano, junto de meu Treinador Fellipe Santos, treinador e triatleta profissional de Curitiba (PR), subimos juntos mais alguns degraus: conquistamos o 1º lugar no Campeonato Baiano de Triathlon, em Guaibim e; o 2º lugar na IV Triathlon Mãe Malvada nas cidades de Petrolina (PE) e Juazeiro (BA). Outro resultado expressivo, fruto de muito esforço, foi o Ironman Rio de Janeiro, o qual ficamos com a 8ª colocação no Age Group: a 7ª melhor corrida da prova nos 21 quilômetros.

Mas confesso que apenas esforço, empenho e muito trabalho duro não seriam suficientes se não existissem pessoas e empresas aqui no Oeste baiano que acreditassem no poder transformador que o esporte possui e, a todos, eu devo minha eterna gratidão.

Mas, no nosso calendário esportivo, temos ainda uma missão para cumprir: conquistar a vaga que nos levará aos mundiais de Triathlon Olímpico e do Ironman, em 2023, com o objetivo de levar o nome da cidade de Luís Eduardo Magalhães e da região que me acolheu ao topo do pódio dessas renomadas provas do triathlon mundial.

Meu objetivo como atleta sempre foi muito claro: construir um legado esportivo para as novas gerações, estar entre os melhores. Mas, além disso, quero provar que um cara comum, que acredita fielmente em seus sonhos e que trabalha diariamente para realizá-los, pode sim atingir qualquer objetivo.

E você, acredita em seus sonhos? Você confia em seu potencial? Se a resposta for sim, eu estou aqui para lhe fazer um convite: Vamos juntos provar que o lema do maior circuito de triathlon do mundo que diz que “NADA É IMPOSSÍVEL” é verdadeiro!

“Se eu insisto em exigir mais de mim mesmo, é para que eu jamais venha a me lamentar por um dia não ter tido coragem de romper os meus limites e me aventurar por onde eu ainda não estive” – VENÂNCIO, Renné

Tiago Perez é natural da cidade de Getúlio Vargas (RS). Ele é Ultraman, Ironman, Multi-atleta, Montanhista e Especialista em provas de longa distância.

Fotos: Arquivo Pessoal

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