SAIU NA ADORO: O desenvolvimento do processo de aceleração das Agritechs da região do MATOPIBA depende de investimento e parcerias estratégicas

Texto: Pompeo Scola e Aguinaldo Marques

É ótimo quando vemos uma Startup crescer e brilhar no mercado, mas pouca gente sabe como é o real processo de criação e desenvolvimento de uma nova empresa, principalmente quando se trata de uma Agritech (Startups voltadas para o agronegócio).

Não é uma trajetória fácil. É um caminho que requer pesquisa, dedicação e principalmente: investimento – lembrando que estes são apenas alguns dos fatores que contribuem para o desenvolvimento do mercado da inovação e das Agritechs. O local é outro ponto fundamental quando o assunto é desenvolvimento de uma nova empresa desse tipo. Numa grande capital ou centro urbano, o ambiente é mais favorável já que muitos desses fatores já preexistem. Porém, quando se trata de uma geografia nova e distante dos grandes centros, é necessário construir um ecossistema de inovação, para que o projeto ali, dê certo.

Para impulsionar o desenvolvimento dessas novas Agritechs, um grupo de empresários do agronegócio (de diversos segmentos) e executivos já consagrados no mercado da inovação e Startups em outras regiões do país, decidiram construir e implantar juntos uma aceleradora voltada para o agronegócio: a Cyklo Agritech. O local escolhido para ser a sede da aceleradora foi a cidade de Luis Eduardo Magalhães que fica no Oeste baiano e faz parte do MATOPIBA (região formada por áreas majoritariamente de cerrado nos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, na qual se destaca a produção de tubérculos, frutas, cultivo de grãos e fibras, como soja, milho e algodão, além da pecuária.)

 

A chegada da Cyklo marca o primeiro passo rumo a criação de um ecossistema de inovação nesse local. Para quem não sabe, a aceleradora funciona como uma Escola de empreendedorismo, onde ao longo de 9 meses é elaborado desde o projeto de pesquisa à montagem do time de empreendedores com alto potencial, com um único objetivo: fazer a Startup ser bem-sucedida. Esse título é dado quando, durante este período, a Agritech consegue vencer os desafios de validar sua tecnologia, definir seu produto, estruturar seu processo comercial e de comunicação com o mercado. Significa dizer, que o que começa como uma simples ideia no Power Point termina com o CNPJ tendo clientes e faturamento.

A aceleradora tem um papel fundamental nesse processo, pois ela além de localizar e desenvolver talentos, cria valor para a região, fazendo o mercado voltar os olhos para a nova Agritech e o local onde ela está instalada.

Mas, vale lembrar que o ecossistema é muito mais do que a aceleradora (ela é apenas um dos atores da inovação). Foi exatamente isso o que a Cyklo fez: além de acelerar uma média de 10 startups por ano, a empresa atraiu entre os anos de 2020 e 2021 a presença e o investimento de fundos como BOSSA NOVA AGRO, NEXT, GR8, SP VENTURES e AGROVEN entre outros.

A chegada desses grandes nomes do mercado significa muito, pois após a aceleração é comum que as startups precisem de novos investimentos para crescer e os fundos de Venture Capital atuam nessa área, dando continuidade ao investimento em startups já aceleradas e em fase de Scale-up ou seja, em crescimento. Este ritual de mostrar as startups já aceleradas para os fundos é permanente ao longo do ano e o mercado chama esta etapa de Demo Day.

Um outro ator importante nos ecossistemas de inovação são as universidades. Se existe um desejo de tornar a região um berço de boas startups do agronegócio, é necessário também contagiar e envolver o ambiente acadêmico, ou seja: professores e alunos, para gerar o estímulo universitário à construção de projetos inovadores. Para isso, a Cyklo estabeleceu parcerias com a Universidade Federal do Oeste da Bahia (UFOB) e o Centro Universitário Arnaldo Horácio Ferreira (UNIFAAHF) com o objetivo de desenvolver o que é chamado de “Originação Acadêmica”: a participação de coordenadores, professores e alunos nos projetos das startups que estejam sendo aceleradas para criar proximidade, interesse e estimular potenciais empreendedores, pois é da academia que virão as futuras startups.

NASCE A NOVOAGRO MATOPIBA VENTURES E PARTICIPAÇÕES S/A

Foto: Arquivo Pessoal

Neste ano, a Cyklo fechou uma parceria com a FCJ, que é atualmente a maior rede de Venture Builders da América Latina e que tem à frente como Ceo ( Chief Executive Officer), Paulo Sérgio Justino. Esse passo fortalece ainda mais a região com a criação de mais um ator do ecossistema de inovação, a Novoagro Matopiba Ventures e Participações s/a.

A novidade é muito comemorada pois além dos recursos financeiros aportados pelos fundos de venture capital nas startups, são necessários projetos e clientes estratégicos para que essas empresas atuem com seus produtos e serviços. E esse é exatamente o papel das Ventures Builders, é conectar grandes empresas ou projetos importantes com as startups de uma certa região, auxiliando e apoiando o crescimento delas, pós aceleração.

Essa parceria fortalece ainda mais  a região e torna o ecossistema mais robusto e sustentável, pré-requisito básico para a digitalização do agronegócio, que se tornará fonte adicional de crescimento do PIB da região e ainda abre um leque de possibilidades de investimento para empresários, produtores,  executivos da região.

CONHEÇA A FCJ

Foto: Freepik

A FCJ existe desde 2013 e hoje atua na Europa e Estados Unidos e segue em franco crescimento, possuindo mais de 30 Ventures Builders, direcionadas a segmentos específicos como Varejo, Saúde, Agronegócio, Lazer, Qualidade de Vida e Construção. Podemos citar como alguns exemplos a Novoagro Matopiba Ventures (BA), a Algar Telecom Ventures (MG), que é voltada para a construção de soluções no setor de tecnologia e comunicação, o EnergyHub (RJ) com o target de alavancar a jornada de inovação aberta, transformação digital e mindset empreendedor das empresas mantenedoras ligadas aos segmentos de Óleo e Gás e Energia Elétrica e Renováveis e a Cerrado Ventures (GO) que buscará e desenvolverá startups com soluções que utilizam inteligência artificial.

EDUARDO NOGUEIRA SE TORNA CEO DA NOVOAGRO MATOPIBA VENTURES

Foto: Eduardo Nogueira/ Arquivo Pessoal

Eduardo Nogueira tem mais de 35 anos de experiência profissional. É Publicitário com Especialização em Gestão Estratégica de Negócios, Mestrado em Administração e Desenvolvimento Empresarial. Possui Formações em Empreendedorismo (Babson College), Captação de Recursos (Assocation os Fundraising Professionals/USA) e Metodologias Ativas de Aprendizagem (Harvard University/LASPAL).

O novo CEO da Matopiba Ventures, Eduardo Nogueira, nasceu numa família de classe média no Rio de Janeiro e se inspirou na família para começar a empreender. O pai era um funcionário de carreira do Banco do Brasil e a mãe uma empreendedora do setor de moda feminina. Foi com ela, que ele deu seus primeiros passos numa fábrica de bolsas de couro, entrando como sócio aos 16 anos. Após a morte do pai em 1991, se tronou sócio dos irmãos numa fábrica de massas frescas. Nogueira entrou para o mundo da consultoria de empresas na época das privatizações, na década de noventa, ajudando dezenas de novos empreendedores advindos dos Planos de Demissão Voluntárias das estatais federais.

Anos depois, atuou como pequeno produtor num empreendimento de leite (2003-2010), em Belmiro Braga – MG, onde vivenciou de perto as dificuldades dos pequenos produtores. O desafio seguinte já foi na área de inovação, onde, antecipando a tendência de o Brasil vir a se tornar um exportador de inovações, criou um programa de educação empreendedora para as universidades privadas (2011/2012) e teve seu projeto comprado por um centro universitário do Rio de Janeiro. Foi convidado a integrar um grupo de discussões sobre a mentoria no Brasil (2015) e fundou e presidiu por 4 anos a Associação Brasileira dos Mentores de Negócios – ABMEN (2016).

A passagem pela ABMEN o levou a colaborar na estruturação do primeiro programa de mentoria da SDP Aceleradora (RJ) (2018-2019). Depois foi convidado a estruturar o programa de aceleração do Distrito de Inovação e Sustentabilidade – DIS (RJ) (2019-2020). Em seguida, participou do grupo que estruturou o Hub de Inovação Tecnológica de Taubaté – HITT permanecendo à frente da sua operação por um ano (2020-2021). Em seguida aceitou o desafio de partir para o interior de Goiás para ajudar na estruturação do programa de aceleração da Orchestra Innovation Center, em Rio Verde (GO) (2021). E agora está à frente da Novoagro Matopiba Ventures e Participações S.A. (2022).

O QUE É VENTURE BUILDER?  

 

Venture Builders são organizações que atuam sistematicamente no desenvolvimento de outras empresas de base inovadora e tecnológica (startups) aportando seus próprios recursos.

Geralmente, esse modelo de desenvolvimento de startups incorpora a cultura de Open Innovation, portanto, em vez de criar suas próprias startups, as organizações de Venture Building buscam soluções no mercado para desenvolvê-las.

Pompeo Scola, é Founder e CEO (Chief Executive Officer) na CYKLO Agritech Aceleradora de Startups — e outra qualificação que tenha identificado ele em outras matérias

Aguinaldo Marques, é Founder & COO (Chief Operating Officer) na CYKLO Agritech Aceleradora de Startups e Sócio e Mentor na área de Inovação

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