SAIU NA ADORO: Especialista ensina como seguir adiante e não abandonar o tratamento psiquiátrico no meio do caminho

Estima-se que cerca de 322 milhões de pessoas têm depressão no mundo, segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS). Deste total, 11,5 milhões estão no Brasil, onde a prevalência do transtorno está acima da média internacional (4,4%), alcançando 5,8% da população e colocando o país em quinto lugar no ranking mundial da doença. A situação dos brasileiros piora quando os dados são sobre a incidência de ansiedade. Neste pódio, o país ocupa a primeira posição com 9,3% da população doente.

Quando a análise se dá em relação à quantidade de pessoas que não levam o tratamento até o fim, a OMS indica que mais de 40% dos pacientes que se tratam abandonam os remédios nos primeiros 30 dias. O percentual sobe para 52% no segundo mês e chega a 72% no terceiro. 

De acordo com o médico psiquiatra, Alexandre Rizkalla, entre as razões pelas quais os pacientes abandonam o tratamento está a decisão de não esperar o tempo suficiente para as medicações agirem no organismo: “Muitos pacientes desconhecem a ação ou não estão dispostos a aderirem aos remédios prescritos e, vale ressaltar, é preciso paciência, porque a maioria dos tratamentos leva de 14 a 21 dias para começar a fazer o efeito desejado”, explica o médico. 

Outro fator que acaba desmotivando o paciente a seguir adiante é a escolha do profissional: “Devemos sempre entender que existem os médicos que são especialistas em cada área e, infelizmente, vemos muitos colegas sem experiência e sem formação técnica suficiente atuando por aí. É preciso checar, por exemplo, se esse profissional tem o registro de qualificação de especialista. Além disso, é importante que o paciente e sua família observem se há ou não a melhora depois da tentativa de vários medicamentos. Neste momento, é hora de questionar se o diagnóstico está correto”, alerta Dr. Rizkalla.

O médico acrescenta que existem casos em que a medicação ou a dosagem não são as ideais para o paciente: “Apesar da função da medicação estar bem descrita, cada organismo é único. Não é porque funcionou no vizinho, que funcionará para a pessoa. Assim como nos remédios para pressão arterial, os remédios psiquiátricos também precisam de ajustes. A depender do caso, pode ser necessário aumentar a dosagem para o resultado aparecer.”

O profissional finaliza ressaltando que a participação do paciente é fundamental para o sucesso do tratamento: “Ele precisa se envolver e se responsabilizar pelo tratamento, tomando os remédios de forma regular, fazendo psicoterapia e atividade física, já que a maioria dos casos requer essa atuação multidisciplinar.”

Foto: Divanildo Silva

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