Conheça os 10 melhores restaurantes de São Paulo, segundo o ranking casual da Exame

Curioso para saber quais são os melhores restaurantes em São Paulo? Para resolver essa questão, CASUAL Exame selecionou os representantes da boa gastronomia em território paulistano que foram reconhecidos por especialistas dos 100 Melhores Restaurantes do Brasil. Confira!

A Casa do Porco

O restaurante do casal formado pelos chefs Janaina e Jefferson Rueda virou sinônimo de números — e filas — impressionantes. Ocupa a 17ª posição no ranking The World’s 50 Best Restaurants e o 11º lugar no recorte latino-americano. A casa, que recebeu 31 votos do júri formado pela EXAME, tem como carro-chefe o porco sanzé. Mais de 12.000 pratos do sanzé são vendidos mensalmente, o que obriga os Rueda a assar 60 porcos por mês. A dívida acumulada na fase mais crítica da quarentena também impressiona: foram quase 3 milhões de reais. “Daria para abrir mais duas Casas do Porco”, calcula Janaina.

Inicialmente, ela achou que levaria quatro anos para cobrir o rombo, que envolve tanto o restaurante quanto os demais negócios do casal: o Bar da Dona Onça, a lanchonete Hot Pork e a Sorveteria do Centro. Tirando os impostos atrasados, no entanto, que foram parcelados, a dívida será totalmente quitada até o fim do mês. E a expectativa é que os negócios voltem a dar lucro agora em junho. “Não imaginávamos que nossas casas fossem voltar com tanta força”, diz Janaina, que não revela quanto o grupo fatura — com delivery, lançado na pandemia, são quase 400.000 reais por mês.

Ela credita a rápida recuperação aos entraves às viagens internacionais, que aqueceram o turismo nacional, e à crise econômica, que teria tornado os menus não tão caros, como os da Casa do Porco, ainda mais atraentes — o sanzé custava 79 reais no início de maio. “O desafio agora é engolir a alta da inflação para não afastar os clientes com o aumento de preços”, acrescenta a cozinheira, chef da Casa do Porco desde 2018 — Jefferson agora se dedica à criação dos animais que abastecem o restaurante e ao frigorífico Porco Real, inaugurado pelo casal no ano passado.

Rua Araújo, 124, República, São Paulo
http://acasadoporco.com.br

Maní

A chef Helena Rizzo, que comanda o Maní, o Manioca e a Padoca do Maní, entrou na quarentena com caixa suficiente para enfrentar três meses de portas fechadas. Entre os sócios está, por exemplo, a apresentadora Fernanda Lima. O mantra que norteou a condução dos negócios naquela época foi este: lucro, por enquanto, é não ter prejuízo.

Passada a fase mais dura da pandemia, a chef virou jurada do programa MasterChef Brasil, em 2021, substituindo Paola Carosella. O novo ofício a obrigou a se afastar um pouco do dia a dia do Maní, que ostenta uma estrela Michelin. Mas com a consciência tranquila. A casa continua um sucesso, assim como os demais estabelecimentos, e o chef belga Willem Vandeven, que já a secundava, tem dado conta do recado com louvor.

Lançado em abril, o novo menu degustação do Maní, a 580 reais, serve de prova. Idealizado por Rizzo e Vandeven, foi inspirado na obra do modernista Mário de Andrade. Com 12 etapas, inclui pratos como cabrito assado mergulhado em um caldo incrementado com kombucha de porcini — cúrcuma e shitake marinado completam a criação. Outro destaque, que já esteve no cardápio do Maní, é a feijoada transformada em pequenas esferas, servidas com pé de porco, couve frita e cubinhos de laranja.

Rua Joaquim Antunes, 210, Jardim Paulistano, São Paulo
https://manimanioca.com.br

Mocotó

O tradicional Mocotó dispensa apresentações e, há mais de 22 anos, atrai a clientela até o bairro da Vila Medeiros, na zona norte paulistana – quase na vizinha Guarulhos (SP). Nem mesmo a pandemia abalou o restaurante. “Tivemos que adaptar a operação, porque o delivery correspondiam a 20% do faturamento. Mas, graças a isso, não dispensamos ninguém”, diz o chef Rodrigo Oliveira.

Para o filho de pernambucanos (que se divide entre o trabalho na cozinha, as peças publicitárias e o sítio no qual produz alguns dos produtos utilizados nas receitas), a menção entre os dez melhores se deve à “experiência feita para todos”. Do baião-de-dois às especialidades, como carne-seca desfiada com cebola roxa e finalizada com manteiga de garrafa, todos custam, em média, 75 reais.

Para a jornalista Patricia Ferraz, especializada em gastronomia, a melhor definição dessa experiência é “muito bom, muito simples e muito saboroso”. Nas palavras do próprio chef, todo reconhecimento também se deve à boa relação com os parceiros – como se refere os fornecedores –, que já formam uma cadeia bem-definida e consolidada pelas mais de duas décadas de trabalho conjunto.

Avenida Nossa Senhora do Loreto, 1100, Vila Medeiros, São Paulo
https://mocoto.com.br/

D.O.M.

É impossível separar Alex Atala da nova gastronomia brasileira. Com técnica apurada e uso de ingredientes tipicamente brasileiros, alguns inusuais, o D.O.M. foi o primeiro restaurante brasileiro a ganhar duas estrelas Michelin e chegou a ser eleito o quarto melhor do mundo pela Restaurant.

“O que torna o menu ainda mais autêntico é a ausência das chamadas ‘iguarias’, como foie gras”, diz o crítico Arnaldo Lorençato. Na lista de inovações estão formigas amazônicas, ervas e flores comestíveis, cogumelos coletados pelo povo yanomami nas áreas montanhosas de Roraima. O menu degustação, a 640 reais, ainda propõe conciliar a experiência com vinhos e até mesmo cervejas.

O resultado do longo aprendizado não está somente nos pratos que saem da cozinha. “Encaro a pandemia, principalmente o que já passou, como o MBA mais caro que já fiz na vida. Quando vêm os momentos difíceis, tudo pode ruir e o sonho pode acabar, ou se solidificar com um espírito agregador”, diz Atala, que ainda toca o Dalva e Dito e o Bio, em São Paulo. Para o restaurateur, os últimos meses só serviram para fortalecer a união da equipe.

Rua Barão de Capanema, 549, Jardins, São Paulo
http://domrestaurante.com.br/

Evvai

Toda a experiência do Evvai está baseada na confiança: os clientes só descobrem as criações de Luiz Filipe Souza à medida que as 13 etapas do menu degustação chegam à mesa — essa é a única opção, por 611 reais. “Propomos algo que custa caro e que cria altas expectativas. Então, fazemos algo que fique na memória, com a preocupação de personalizar cada jantar e cada mesa”, afirma o chef.

Foram necessários apenas dois anos para conquistar a primeira estrela Michelin, em 2019. Mas esse nem foi o maior desafio do jovem de 32 anos, que precisou paralisar projetos durante a pandemia e se dedicar à agenda repleta de compromissos fora da cozinha. No fim, deu tudo certo. “Para mim, é o melhor menu degustação de São Paulo”, diz Adriano Lopes, da página Gordo Profissional.

Com forte inspiração na culinária italiana (ainda que sempre tenha referências da cultura brasileira), o cardápio passa por constantes renovações e reinvenções. Por isso, não se surpreenda se um prato favorito desaparecer entre uma visita e outra. Para Luiz Filipe Souza, um dos destaques de agora é a moqueca com peixe do dia e nero di seppia, ingrediente-chave na gastronomia mediterrânea.

Rua Joaquim Antunes, 108, Pinheiros, São Paulo
https://www.evvai.com.br/

Charco

Em seu primeiro restaurante, o chef Tuca Mezzomo se vale de uma parrilla, de um yakitori, aquela churrasqueira japonesa, e de um forno combinado adaptado a um defumador. A proposta do endereço, afinal, é usar o fogo das mais diversas maneiras na cozinha. Quase todos os ingredientes são preparados ou finalizados na brasa, dos cogumelos utilizados em um dos pratos vegetarianos mais pedidos ao porco preto, servi ­ do com creme de milho.

Sucesso instantâneo, o Charco abriu as portas em dezembro de 2018. Quando veio a pandemia, abraçou o delivery antes mesmo do decreto que restringiu o atendimento presencial. “Nos adaptamos muito rapidamente às novas circunstâncias, o que manteve o Charco vivo”, lembra o chef. Quando ele e o sócio-investidor se deram conta de que vários restaurantes estavam sucumbindo à pandemia, montaram uma nova empresa, a Projeto Saliva.

A missão da empresa é contribuir com a gestão financeira dos empreendimentos dos quais virou sócia desde que começou a pandemia — o bar Guilhotina, o Chou, da chef Gabriela Barretto, e o Donna, de André Mifano. “A Projeto Saliva não se envolve na parte criativa de seus estabelecimentos”, explica Mezzomo, que não revela quanto a empresa fatura nem quanto ela investiu até aqui. O Charco também faz parte da companhia, assim como o Naia, restaurante despojado de pescados e frutos do mar inaugurado no ano passado.

Rua Peixoto Gomide, 1.492, Jardim Paulista, São Paulo
https://www.instagram.com/charcorestaurante

Tanit

O restaurante do catalão Oscar Bosch completou seis anos em abril — e ainda é tão concorrido quanto na época da inauguração. No Brasil desde 2009, o chef aposta em receitas mediterrâneas, como fideuá de camarões e polvo à la plancha, que a clientela não abre mão de ver no cardápio do Tanit — incrementado com emulsão de cenouras queimadas na brasa, cenouras baby orgânicas glaceadas e farofa de alho. O leitãozinho cozido em baixa temperatura é outro hit imexível.

Dos negócios de Bosch, cuja família mantém um renomado restaurante na cidade litorânea de Cambrils, na Espanha, o que mais sofreu com a pandemia foi o Nit. Trata-se do bar vizinho, inaugurado em 2019. Fechado por 14 meses durante a quarentena, é especializado em tapas, a exemplo das croquetas de jamón com frango — com maionese de mostarda e raspas de limão -siciliano — e da costelinha de porco com toque chinês, alho negro e aroma de trufa.

Em fevereiro deste ano, Bosch ampliou seus domínios ao inaugurar uma sorveteria, a Mooi Mooi, no Itaim Bibi. Ela aposta em sabores de produção própria e na criatividade dos clientes, que podem adicionar ingredientes como farofa doce e pipoca caramelada. Como outras sorveterias descoladas da cidade, a novidade já forma filas a perder de vista.

Rua Oscar Freire, 145, Jardins, São Paulo
https://restaurantetanit.com.br

Banzeiro

Consolidado como verdadeiro patrimônio manauara – onde existe desde 2009 –, o Banzeiro chegou a São Paulo há apenas dois anos. E, de lá para cá, apresentou aos paulistanos as receitar autorais de influência amazônica criadas pelo catarinense Felipe Schaedler (que passou a viver com a família no norte do país quando ainda era adolescente), como o bolinho de pirarucu de casaca, que leva peixe curado e banana. Com porções generosas para até três pessoas e itens muitas vezes desconhecidos aqui, uma boa pedida é provar o menu Rio Negro (299 reais), com tambaqui, tacacá e até formiga.

Rua Tabapuã, 830, Itaim Bibi, São Paulo
Rua Libertador, 102, Nossa Senhora das Graças, Manaus
https://www.facebook.com/Banzeiro/

Cepa

Distantes dos núcleos tradicionais de restaurantes badalados, o Cepa conquistou espaço no Tatuapé graças às receitas autorais que valorizam (e respeitam) os ingredientes. E prova disso são as criações como o atum cru servido com creme de wasabi (89 reais) ou a língua de Wagyu com caldo de frango, quiabo e hortelã (62 reais) – ambos assinados por Lucas Dante, chef que nasceu e foi criado na zona leste paulistana. E, não bastassem os pratos, os coquetéis criados por Sarah Foli também são dignos de louvor, bem como a autêntica seleção de vinhos elaborada pela sommelière Gabrielli Fleming.

Rua Antônio Camardo, 895, Vila Gomes Cardim, São Paulo
https://www.facebook.com/cepa.restaurante/

Komah

É no despretensioso endereço da Barra Funda – bairro paulistano historicamente industrial e partido pelos trilhos dos trens – que Paulo Shin recebe os clientes. E, ainda que os serviços de delivery e take away (criados no início da pandemia, há cerca de dois anos) continuem funcionando normalmente, o Komah vale a visita: cadeiras de madeira e decoração industrial refletem um cardápio honesto e sem arrogâncias. É claro que as receitas tipicamente sul-coreanas têm destaque na cozinha, mas também há espaço para surpresas, como o arroz salteado com costela bovina e omelete cremoso (63 reais).

Rua Cônego Vicente Miguel Marino, 378, Barra Funda, São Paulo
https://komahrestaurante.com.br/

Informações da Exame.
Fotos: Reprodução/ Divulgação

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