Estudo mostra que idosos são mais felizes do que adultos na meia-idade

A maioria das pessoas teme o envelhecimento por seu declínio físico e mental. Mas um novo estudo, realizado em conjunto pela National Geographic e pela AARP (American Association of Retired Persons, que reúne pessoas com mais de 50 anos em torno da ideia de aposentadoria), mostra que as pessoas mais velhas são muito mais felizes do que imagina o senso comum – incluindo o que os próprios entrevistados imaginavam quando eram mais jovens.

O estereótipo de velhos ​solitários que perdem o propósito do trabalho e sua relevância para uma sociedade baseada em dinheiro, juventude e status, é invertido pelos dados. Quanto mais velho você fica, menos teme a morte e mais valoriza as coisas boas da vida. Abaixo dos 40 anos, o foco está na saúde mental e na independência. Aos 80, é quase tudo sobre amor.

Quem precisa de mais ajuda hoje são os que estão na meia-idade, vivendo entre filhos carentes, uma carreira que exige demais, pais doentes e o noticiário cheio de tragédias que precisam de ajuda.

As longas aposentadorias de hoje provavelmente vão diminuir à medida em que a população envelhece. Ajudar as pessoas a se prepararem para uma vida mais longa exigirá educação – física, financeira e relacional. Os velhos de hoje, sugerem este relatório, podem estar mostrando o caminho.

Essa pesquisa mostra que grande parte da população com menos de 40 anos não tem uma visão clara de onde virá sua renda na aposentadoria. Também revela que os idosos priorizam o condicionamento físico e a nutrição muito mais do que os mais novos. Quanto mais cedo cuidarmos da parte física na vida adulta, maior será a capacidade de termos saúde à medida que aumenta nossa expectativa de vida.

Pais, empregadores e políticos têm um papel importante ao fazer as pessoas entenderem o que significará viver 100 anos de vida, estimulando as pessoas a economizar desde cedo, exercitar-se regularmente e a comer bem. E muitos dos idosos pesquisados já ​​fazem isso.

Foto: Elevate/ Pexels

A nova aposentadoria

A aposentadoria em si é um conceito em evolução. Fala-se muito sobre as pessoas terem que trabalhar mais e a maioria dos pesquisados ​​não acredita que se aposentará quando quiser. No entanto, a pandemia gerou um movimento em massa em direção à aposentadoria antecipada no mundo. O relatório também mostra que a maioria dos aposentados atuais se aposentou mais cedo do que esperava (globalmente falando), enquanto uma pequena proporção de trabalhadores resistentes (14%) nunca quer se aposentar.
Saúde mental dos adultos é preocupação

A pesquisa sobre a felicidade mostra uma clara curva em U, com a parte mais baixa, ou seja, mais infeliz, nas décadas da vida em que as pessoas têm que fazer malabarismos com as grandes tarefas da vida. Ter filhos, ganhar dinheiro, construir carreiras e cuidar de pais e comunidades pode ser muito desgastante e as demandas podem ser inconciliáveis.

Este estudo mostra aqueles com menos de 40 anos com saúde mental como sua principal prioridade de saúde – e nos Estados Unidos é mais fácil encontrar atendimento para crianças e velhos, mas não para adultos. Não é à toa que as taxas de natalidade estão caindo – as pessoas vêem filhos e o sacrificio para criá-los como uma demanda que nem sempre é possível cumpri.

Morte assistida

Geralmente, os entrevistados não estavam muito preocupados com quanto tempo viveriam. Quanto mais tempo eles já viveram, menos eles se importam com a longevidade. “A morte não deve ser temida”, resume o relatório, “mas deve estar preparada”, como a maioria dos entrevistados fez – financeira, legal e relacionalmente. O relatório aponta para a importância da assistência médica na morte, particularmente entre os ricos e instruídos (65%). Aqueles que discordam dessa assistência (18%) mais fortemente, o fazem por motivos religiosos. Áustria, Bélgica, Canadá, Alemanha, Luxemburgo, Holanda, Nova Zelândia, Espanha, Suíça, partes dos EUA e Austrália são países que já falam em morte assistida (Colômbia e Itália legalizaram, mas ainda não implementaram).

Foto: A. Kolshooter/ Pexels

Ter saúde é relativo

Os participantes definem ter boa saúde como ser alguém independente, com mobilidade e mentalmente saudável. Curiosamente, o declínio físico não influencia muito os entrevistados a respeito da ideia. Mesmo que a maioria se preocupe com doenças cardíacas, diabetes ou câncer, o importante é que o tratamento dessas doenças os permite manter a mente sã e a independência.

Logo, um recado aos médicos: incentivar mais procedimentos médicos, principalmente se eles comprometerem a qualidade de vida futura, não é o que os idosos estão pedindo. Os entrevistados foram claros em sua esperança de um sistema médico mais respeitoso das escolhas e desejos maduros de fim de vida.

Projetar casas para todas as idades e estágios

O relatório destaca a clara prioridade que nossos idosos (e provavelmente nossos futuros eus) colocam na família e nos relacionamentos. Também sublinha o quanto as pessoas preferem viver em suas próprias casas ou com a família, em vez de em instituições de qualquer tipo.

A era das comunidades de aposentadoria segregadas por idade pode estar chegando ao fim. Mas boas alternativas ainda não estão prontamente disponíveis. Cerca de 95% do parque habitacional norte-americano não é construído tendo em mente o envelhecimento da população. O Instituto Nacional de Construtores de Casas recentemente promoveu a ideia de ‘design universal‘ que integra as necessidades de pessoas de todas as idades em todos os aspectos de uma casa – desde entradas e maçanetas acessíveis até banheiros maiores. Eles também podem construir pensando no desejo claro desta pesquisa de habitação que permita que as pessoas vivam com a família quando forem mais velhas.

Com informações da Forbes.
Foto de capa: Tim Mossholder/ Pexels

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