Especialista ensina como identificar vinhos falsificados ou adulterados

Tomar uma taça de vinho é algo que muitas pessoas fazem, acompanhadas ou sozinhas, como forma de lazer, para relaxar ou festejar. Muito já se estudou sobre a bebida, inclusive, e pesquisas recentes mostram que uma pequena quantidade diária ou semanal faz bem à saúde cardiovascular, ajudando quem tem problemas circulatórios, como varizes, infarto ou derrame.

O que pouco se diz sobre essa bebida alcoólica, obtida por meio da fermentação do sumo de uva, porém, como ele pode ser é falsificado ou adulterado e enganar o consumidor.

Comprar vinhos adulterados pode ser mais comum do que se imagina. Isso por que há vinhos populares caros e, para quem deseja lucrar de forma ilegal, falsificar a bebida é uma saída de obter mais rendimentos. Quem explica isso é o Francisco Chiarelli,de 43 anos, formado em administração de empresas, especialista no assunto pelo curso do ISG (instituto sommelier guild) e que possui seu próprio negócio, a Francisvinho. A entrevista aconteceu ao portal Diário de Goiás.

Com aproximadamente mil rótulos de diferentes países, Francisco abriu seu negócio novembro de 2020 e já se tornou referência em confrarias e jantares harmonizados no estado de Goiás. Sobre os vinhos falsificados ou adulterados, ele diz que muitas das vezes é possível identificar pelo rótulo. “Na maioria das vezes, há falta de tradução do rótulo da garrafa, na parte onde se localiza o contra rótulo, além da diferença gritante no produto, que visivelmente é mais grotesco”, explica.

Foto: Helena Lopes/ Pexels

“O tamanho e o posicionamento do rótulo na garrafa também precisa ser observado. A presença e a ausência de etiquetas no pescoço da garrafa devem ser questionadas na hora da compra, bem como as fontes e imagens utilizadas. Procure saber se estão de acordo com o padrão conhecido da vinícola e com as safras anteriormente produzidas. Caso haja erros de ortografia e problemas de impressão, as chances de serem falsificados é certa”, afirmou Francisco ao portal.

O especialista alertou, inclusive, que atualmente a maioria dos rótulos, tanto falsificados como contrabandeados, tem vindo da Argentina. Porém ele garante que há muitos que vem desta forma do Chile e da Europa.

Além disso, Francisco citou o vinho D.V. Catena Tinto, uma bebida histórica em homenagem ao Tinto Buenos Aires de Domingo Vicente Catena, como um dos mais falsificados e contrabandeados da atualidade.

“O D.V. Catena é um dos queridinhos hoje em dia, principalmente no Brasil, então acabou virando um grande alvo, devido a única importadora desse rótulo credenciada a distribuir esse vinho no Brasil cobrar preços abusivos fazendo o produto que eles distribuem ficar muito caro e, consequentemente, com que os contrabandistas e falsificadores traga para o Brasil de forma ilegal”, explica.

Vinho argentino DV Catena é um dos falsificados e contrabandeados da atualidade. (Foto: Reprodução/ Elo 7)

Dicas contra falsificação

Robert Parker, um dos críticos de vinho mais influentes do mundo e que criou um sistema de classificação e avaliação de vinhos esclarece: vinhos em caixinha são de baixa qualidade. “Vinho de boa qualidade é vendido em garrafa de vidro. Simples assim.

Além disso, o único tipo de açúcar presente no vinho deve ser o da própria uva. Se houver adição de açúcar de cana, por exemplo, o produto deixa de ser vinho”, escreveu, completando que, para identificar se o vinho não foi adoçado artificialmente, é preciso observar a quantidade de açúcar indicada no rótulo. Para os secos, até 4 gramas por litro; para meio secos, até 18 gramas por litro; para meio doces, até 45 gramas por litro; e para doces, não menos que 45 gramas por litro.

Se houver maior quantidade do que isso e não for indicado no rótulo que o vinho é encorpado, significa que foi adicionado açúcar. Se o ácido salicílico estiver presente nos ingredientes, o vinho foi produzido com violação da tecnologia de fabricação. Mas o ingrediente que assusta, o E220 (dióxido de enxofre), estará presente em qualquer um deles, já que o SO2 é o resultado colateral natural da fermentação.

A data de produção também deve ter um carimbo separado da informação principal no rótulo e as letras precisam ser claras, sem erros tipográficos e fáceis de ler. “A marca tem que coincidir com a da rolha, então procure indicações de que o vinho foi envelhecido em barris de carvalho”, diz o crítico, concluindo que, se a pessoa for admiradora de determinada marca, deverá perceber alterações na garrafa ou no rótulo.

Com informações do Diário de Goiás.
Foto de capa: Freepik

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